Imagem

Vai ser. Eu sei que vai ser.

 

Há em mim um sentimento que me invade desde o final de 2017: 2018 vai ser um ano fantástico! Não perguntem o que eu acho que vai acontecer por que… eu não sei! Só sei que vai ser espectacular!

Estou doente há 8 meses, o cenário é para gerir muitos danos mas, mesmo assim… não vos sei explicar. Dia após dia, acredito cada vez mais.

Sinto. Quero. Vai acontecer.

Digo a toda a gente, acho que a minha mãe até já sabe a frase de cor…

Ofereceu-me esta agenda uma grande amiga, no aniversário dos 34. Escrevo nela todos os dias e não posso deixar de sorrir quando olho a capa.

Vai ser. 2018 vai ser um ano maravilhoso. EU SINTO!

Também sentem o mesmo?

 

Imagem

O tempo. Esse sacana.

Vivemos com o tempo.

Com a falsa ideia de que sabemos tudo sobre ele.

Sobre o que fazer com ele. Às vezes, na esperança de o saber, mesmo.

De que o consigamos gerir bem.

Sem pressas mas sem perder… tempo.

Vivemos com o nosso e o dos outros.

O que fazemos com o nosso tempo diz tudo, mostra tudo. Prova tudo. Dúvidas houvesse.

 

Vivemos pelo tempo.

Por mais 5 minutos de manhã.

Pela hora da reunião, do almoço, do jantar, do noticiário, de ir buscar os miúdos à escola, da entrega do projecto, de um fecho de edição.

Pela vida toda estruturada, organizada e cheia de percalços e presunções.

Pelo que nos fazem ganhar, a vida é sempre a perder.

Pela tentativa de encaixar tudo. Ali.

 

Vivemos contra o tempo.

A única coisa que não volta atrás.

O momento na vida que já faz parte do passado.

Com a ilusão que seríamos mais felizes se tivéssemos mais.

Com o relógio sempre presente. Na mente, a hora de sair ou de chegar.

Com as 24 horas que a vida nos dá. Todos os dias. A todos, por igual.

O tempo é o que fizermos com ele.

Na busca daquela que será ‘A’ hora: “Se chegares às 4 horas, desde as 3h que serei feliz”.

Imagem

O melhor elogio que já recebi

Sei elogiar. Faço-o quando sinto. Quando acho que as pessoas merecem. Quando percebo que fazem e agem por amor. Sem interesse. Com o coração. Posso não ter ligação, não ter amizade, mas se reconheço, sou capaz de o dizer.

Os melhores elogios que recebi foram de dois homens. Em duas situações diferentes da minha vida. Curiosamente, duas pessoas que não se conhecem. Separados por mais de 10 anos.

Foi uma vez, no fim de uma emissão, ainda no meio de toda a confusão, quando os níveis de adrenalina estão bem lá bem no alto. Estavamos todos a começar a descomprimir. Não sei como começou a conversa. Não sei como chegamos ali. Estou a ver a expressão, estou a ouvir as palavras. E, assim, sem mais, ele diz “Quando és tu quem está no ar estamos todos muito descansados“. Eu petrifiquei. Depois emocionei-me. Ele fugiu. Eu ‘estava no ar’ há muito pouco tempo. Nem sei se ainda se lembra de me ter dito isto mas acredito que sim.

Da outra vez, foi durante uma troca de mensagens. Sobre a vida, a minha doença, o trabalho, as limitações da vida, livros, política, pessoas. Sim, falamos mesmo sobre isto tudo, a qualquer hora, em qualquer momento. Ao mesmo tempo. A contabilidade dos dias de conversa estava já bem para lá dos 100. E assim, no meio daquela amálgama toda, surge a frase… “Gostava que a minha filha fosse como tu, quando crescer“. Tenho a certeza que a emoção de quem as escreveu foi tão grande como a minha, ao ler. Não me lembro da resposta que dei. Acho que não foi preciso dar nenhuma, em concreto. Quando as pessoas se gostam, quando se têm no coração, quando sabem de onde vêem e ao lado de quem caminham… não são precisas muitas palavras.

Por isso vos digo… “As jóias bonitas, o sorriso luminoso, a roupa gira, os sapatos distintos”… são coisas boas de se ouvir mas tão relativas. São só coisas.

As duas frases acompanham-me todos os dias. Quando tenho dúvidas do que posso ser ou de onde consigo chegar… lembro-me delas. Nos dias maus, lembro-me delas. Nos dias felizes, lembro-me delas. E, assim, nunca me esqueço do que sou.  

Imagem

7 Maravilhas

Quando sabemos o que somos, de onde vimos, onde pertencemos não há grandes dúvidas sobre as opções que tomamos. Foi isso que me levou a aceitar este convite da Câmara Municipal de Constância para ser madrinha do concelho nas edição das 7 Maravilhas à Mesa.

Aprendi a nadar nas piscinas do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, nadei nas águas geladas do Zêzere, atravessei o Tejo de barco inúmeras vezes, esfolei os joelhos na Quinta do Lombão, cresci a comer peixe do rio e a broa de milho que a minha avó Esperança comprava ao Sr. Henrique, o padeiro que passa todos os dias.

Hoje já não há broa. A avó Esperança já não olha por cima dos óculos, o meu pai já não pesca no rio mas eu volto sempre aqui. Por que a essência não se perdeu. Nunca se perde. E porque as pessoas contam sempre mais. Triste de quem ainda não percebeu isto.

Em Alijó (viagem grande) a mesa de Constância não passou à final. Valeu a pena participar. Também não há muitas fotografias, ficou tudo reservado na memória que os programas em directo não são amigos dos telemóveis.

Obrigada a todos! Ao Presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira, meu amigo há quase 30 anos, ao grupo que nos acompanhou e à produção da RTP.

Imagem

Sorria, está a ser filmado

Alguém pensa nos dias maus?

Alguém pensa no que custa levantar a cabeça, inspirar e falar?

Alguém pensa que sorrir… pode custar tanto? Encarar as pessoas, a família, o público, o chefe, o país, a audiência.

Alguém alguma vez pensou que esse é um dos maiores desafios desta vida?

Sorrir. Devia ser tão simples, tão natural, tão espontâneo, tão generoso.

Alguém alguma vez calçou os sapatos do outro? O maior acto de humildade- colocar-se do outro lado. Sentir o que se sente. Sentir as pedras todas do caminho.

Alguém alguma vez pensou que se daria a vida para não ter de sorrir ali, naquele instante, naquela situação?

Às vezes… ninguém sabe. Ninguém imagina o que custa sorrir, apenas.

 

Imagem

Vá pelas escadas

34. São 34 degraus desde a entrada do prédio até à entrada da minha casa.

Um dia decidi que ía usar o elevador apenas nos dias em que os sacos de compras pesam demais até para uma corajosa como eu ou quando venho de casa da mãe e trago tudo e mais alguma coisa.

Dizem os especialistas que são precisos 21 dias para criar um hábito, para que corpo e mente se habituem a uma rotina. Outros estudos revelam que ao fim de 6 meses a praticar exercício físico, as pessoas estão mais aptas para tomar decisões. Acredito que sejam mais, especialmente naqueles casos em que se sente dor, física ou emocional, por qualquer tentativa de mudança. Mas não os ponho em causa.

Subir e descer estas escadas funciona para mim como o momento de reflexão, do que já fiz e ainda falta mas principalmente, mostra-me evolução. Prova-me que depois de um há sempre o outro. Que a evolução é possível, que há sempre um lanço de escadas pronto a ser percorrido, até ao nosso patamar. Até chegarmos à nossa porta. Se eu quiser chegar à minha porta tenho de os subir, não há hipótese.

Mas lembra também que todos os prédios têm um último andar. Que não vale a pena correr escada acima, que tudo acaba. Tudo tem um limite. E até o conseguimos ver, cá de baixo.

Em Nova Iorque os prédios até 7 andares não têm elevador. Em Portugal, esta é das primeiras características que procuramos, logo a partir do 2º andar. Acho maravilhoso.

O caminho pode ser sofrível, nos primeiros dias será, seguramente. Depois, as pernas habituam-se. Os olhos já não espreitam a porta do elevador. E já nem nos lembramos de como se faz.

34 degraus.

Passaram 8 meses desde que comecei a fazê-lo.

Às vezes, quando entro no elevador, nem sei qual o número do meu andar.

 

Imagem

Saber sair antes do fim

Saber sair.

Uma virtude maior que saber dizer ‘não’, ainda que as duas se unam.

Perceber.

Quando estamos a mais, quando a nossa presença já não faz qualquer sentido, estar ou não é igual, é banal, é hábito.

Quando o nosso amor já não significa nada, já não move nenhuma montanha, já não resolve o indecifrável, já não faz a diferença nos dias maus, aqueles em que só queremos voltar a casa.

Quando não nos procuram, não buscam nos detalhes, nas mensagens de telemóvel ou no registo das ‘chamadas efectuadas’ o nosso número até já não aparece há tantos dias.

Quando não querem o nosso abraço, não procuram o nosso refúgio, o nosso calor, o nosso fôlego, as nossas palavras.

Quando a vida já não faz sentido connosco, o futuro já não aponta para aquela direcção, o pensamento já não vai mais além.

Quando uma tarefa já não nos preenche, não nos motiva, pesa, é dor, causa muito sofrimento, mesmo que seja o sonho de uma vida.

Quando as campainhas soam, quando os alertas disparam e nós ignoramos, ignoramos e voltamos a ignorar.

Até ao dia em que o Mundo cai, o corpo cede e a mente não ajuda.

Deixa ir. Entregar. A lucidez.

Quando é preciso saber sair antes do fim.

Perceber que uma vida, uma tarefa, um ciclo acabou. É, provavelmente, das questões mais aterradoras, para mim.

Respirar, levantar a cabeça e seguir, qualquer que seja o destino, qualquer que seja a previsão, não importa o caminho. Importa é a certeza, a fé de que tudo começa e acaba. Menos o amor, que tudo pode. Mas não chega.

Imagem

Onde é o paraíso?

Para chegar ao Casalinho passamos pelas estradas mais movimentadas até chegar às mais estreitas, que já são de alcatrão. Até chegar ao Casalinho, o calor aperta, lá aperta mais. A vegetação tomba para a estrada, os carros é que têm de se desviar. Os pinheiros cresceram desordenados depois dos incêndios de 2003, a memória tem de voltar a este ano (também) tão difícil para Portugal, ainda que 2017 tenha batido recordes de área ardida. Os pinheiros vêem-se e cheiram… tão bem. Há muito tempo que não sentia este odor, esta natureza tão… natural.

Cheguei ao Casalinho através do Miguel, um querido amigo, que quis mostrar-me das melhores coisas que tem. O ‘Refúgio do Raposo’ era a casa dos avós (Raposo, de nome) e os país resolveram recuperar tudo e melhorar, para deixar aos filhos algo mais que dinheiro: deixar-lhes valores (mais, ainda), um património com sentido, com verdade, evocar a história da vida de todos. Eu tive a sorte de o partilharem comigo. Sou do campo, muito do que está ali eu conhecia, valorizava, mas são as pessoas que contam. O silêncio, os passarinhos, as casas de xisto, o passeio na carrinha de caixa aberta, o queijo de cabra com mel (não, hérnia, isto não aconteceu!) têm mais sentido com esta família fantástica.

O ‘Refúgio do Raposo’ é um alojamento local, perto de Proença-a-Nova, decorado com tanta simplicidade que não tem falta nada, muito menos de bom gosto. O Miguel é apaixonado por astronomia, vi lá o eclipse e tive direito a explicação detalhada. Indescritível! Também por causa disto, cada casa tem o nome de uma estrela. A minha era Altair.

Muito e muito obrigada. Foi um renovar de alma, em 2 dias perdi 10 anos, dizem eles. E eu acredito.

(Esta fotografia fantástica é do Paulo Ferreira (PTLAPSE), as outras são minhas! Não tenho um alcance tão grande! )

      

 

Imagem

Dia dos Avós

Imagem: Pinterest

Neste dia dos avós recupero um texto que escrevi aqui em Janeiro deste ano. Recordava os tempos que passei com os meus avós maternos, durante a infância, na quinta onde viviam. Tenho muitas saudades, hoje faria muitas coisas diferentes. Aproveitava-os mais. O meu avô Henrique é a minha estrelinha. Sei que onde está, onde estão… estão sempre a olhar por nós.

 

O essencial é invisível aos olhos

Passei muito tempo com os meus avós maternos.
Quando eu era pequenina era assim que se fazia quando os pais não podiam estar sempre connosco. Depois mudou tudo e agora os netos já vão para casa dos avós, outra vez. E que bom que é, imagino. Os meus avós maternos já não estão fisicamente comigo mas sinto-os cá todos os dias. O meu avô Henrique era só a melhor pessoa do mundo. Ainda não tínhamos chegado perto dele e já os olhos brilhavam, rasos de água. Tinha-nos um amor excepcional, uma coisa sem medida. Quando eu e a minha mãe chegávamos lá estava ele, sentado na sua cadeira de madeira, virada ao contrário, a fumar o seu cigarrinho e a ver os comboios passar. Sempre à espera de ver alguém, nos dias tão longos da velhice, que o separavam de momentos mais preenchidos, de quando era novo e fugia da minha avó para ir beber o seu copinho de vinho à taberna. O meu avô tinha os olhos doces, de uma calma que já não existe, de uma ponderação que ja não se pratica. O meu avô deu-nos, a nós netos, um exemplo de tudo: de trabalho, de força, de humanidade, de carinho e resiliência: nunca, até morrer, se queixou do que quer que fosse. A frase foi ‘Eu estou bem’… Até ao fim.
Há muito tempo que acredito que ele é a minha estrelinha lá em cima, sinto-o. E sei que os meus primos também. Um de nós herdou o seu nome.
A minha avó Esperança era igual no exemplo: mulher danada para criar os filhos e ainda tomar conta dos netos, mas menos dada aos afectos. As suas manifestações de ternura eram sob a forma de qualquer coisa: uma saia de peitilho cosida na máquina, uma travessa cheia de batatas fritas às rodelas (chefes de todos o mundo, podem tentar… nunca hão-de conseguir sabor igual), toucinho assado (idem), café na cafeteira que estava todo o dia no lume, e saquinhos de retalhos que combinava como ninguém, com a mestria de quem aprendeu a fazer pachtwork numa qualquer escola de arte, tão maravilhoso para alguém que nem sabia escrever.
Nesta altura, o nosso chá ainda não chegava a casa em saquetas, eram infusões de plantas que havia no quintal. Hoje fiz chá de lúcia lima, com as mesmas folhas. A minha casa ficou perfumada com este cheiro tão rural, tão nosso, tão distante.

Ao senti-lo, viajei. E voltei a percorrer a casa dos meus avós, a ouvir os risos dos primos, felizes, a correr pela quinta e a abrir a porta do galinheiro.
Caramba… Tenho tantas saudades deles.