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A fome e a fartura

Às vezes é mesmo assim… E Constância está habituada a ver de tudo. Quando há uns tempos visitei a vila havia fome (ou sede) de água, o Tejo ía tão vazio que metia dó, a situação era mesmo complicada. Mas a verdade é que desde miúda me habituei a ver a vila inundada no inverno. Eu e todas as pessoas, penso, e por isso foi tão difícil lidar com a seca.

Quando passei, nestes últimos dias, o nível das águas já estava mais baixo e o parque de estacionamento operacional mas a rotina é sempre a mesma: retirar as coisas das casas e estabelecimentos comerciais mais próximos do rio e depois… esperar: esperar que suba e esperar que desça, sem fazer grande estrago.

Todos os anos havia a expectativa de até onde chegaria, agora, o caudal? Na Praça do Pelourinho há marcas das piores cheias de sempre, nos anos 70. Ainda hoje fico impressionada e a pensar ‘como foi possível?’ mas foi.

Agora está mais baixo, mesmo a tempo para as Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira dos pescadores que faziam vida no Tejo, e que acontece sempre no fim de semana da Páscoa. Começam hoje, portanto. 

Ali em baixo encontram-se Tejo e Zêzere, num cenário quase idílico. Vivi neste concelho até aos 12 anos e não me esqueço nunca onde pertenço. Sou uma sortuda.

(Por ali também passou Camões mas isso fica para a próxima.)