Galeria

O casaquinho

Comecemos pelo início.

Conheci o Centro Sagrada Família (CSF) há umas semanas quando a tia Suzete me desafiou a visitá-lo. A tia Suzete é uma senhora maravilhosa, de 73 anos, mais activa do que eu e que faz mesmo a diferença na vida das pessoas (na minha também): é voluntária. Há uns tempo desafiou-me para conhecer um espaço que eu não sabia que existia, fica entre os prédios mais altos de uma avenida de Algés e a CRIL. O CSF é uma IPSS que pertence à Fundação Obra Social das Religiosas Dominicanas Irlandesas, que também desenvolve actividades no Colégio do Bom Sucesso e na Casinha de Nossa Senhora.

O Centro apoia quase 90 famílias, cerca de 300 pessoas e destas, metade é crianças. Na hora em que eu conheci o espaço e o trabalho desenvolvido e a Dra. Amélia percebi que podia ser útil. Fiz uma recolha de roupas lá em casa e pedi a algumas pessoas brinquedos para oferecer às crianças este Natal- elas não precisam de muito, só querem uma coisa nova, embrulhada, para ser só sua. Custa muito pouco fazer uma criança feliz… mas além das crianças era preciso ajudar as famílias. A tia Suzete conseguiu roupa nova para quase todas, através de uma empresa que se dispôs a ajudar, de imediato. A entrega foi ontem e estes são os cabazes preparados para cada uma das pessoas e os presentes para os seus filhos.

Mas antes desta entrega estive com amigas do Centro de Psicologia de Almada que também fazem recolha de roupa para ajudar pessoas carenciadas. Já me tinham dito para levar roupas mas ontem é que foi! Várias caixas e sacos com coisas que vão, seguramente, tornar o Natal destas pessoas mais quentinho.

Mas, no meio de todas as dádivas, fizeram questão que trouxesse uma. Um casaquinho de lã, feito à mão, de cor verde.

Diziam-me que era especial, depois percebi porquê. Este casaco de lã verde, foi feito por uma senhora que sofre de Parkinson. Mas a vontade de ajudar era tanta que, mesmo com todas as óbvias limitações, esta senhora tricotou o casaquinho. Queria muito ajudar e só isso a fez resistir… um ano. Um ano foi o tempo que demorou a terminá-lo e entregá-lo para que pudesse aconchegar uma criança de meses. Na altura que o entreguei no CSF chorámos todos, cada um à sua maneira.

Está cumprido. Demorou mas quando a vontade de ajudar é genuína, tudo se alinha e o propósito é atingido. É uma lição grande de força de vontade e resiliência.

Como imaginam, há muitas pessoas a precisar de ajuda. Dou-vos o exemplo da D. Fernanda que conseguiu uma casa num prédio social e está tão feliz porque também vai ter um quadrado de terra para uma horta. Do José, outrora sem abrigo, hoje numa habituação social também mas ainda a compor o seu espaço. E que agradece profundamente a ajuda que lhe dão mas também tem a plena consciência que tem um papel activo (e tão fundamental) na reconstrução da sua vida.

São só dois exemplos de pessoas que não desistem e todos os dias seguem em frente e tentam mais um bocadinho. Há quase 90 famílias. Este post não é para dizer o que fiz. É para vos alertar que falta muito mais: o José precisa de um fogão, frigorifico, micro-ondas. A Dona Fernanda, das coisas de todos os dias.

Se puderem ajudar, não hesitem. Tenho a certeza que o vosso Natal vai correr muito melhor.

Imagem

“Gostava de receber um pack com 500 horas de tempo extra”

A Selfie fez algumas perguntas sobre o Natal e eu respondi. Para ver em www.selfie.iol.pt

1. Natal é…

… é família, é amor.

2. Qual é a memória mais especial que guarda do Natal?

Guardo na memória um Natal que passámos todos juntos em casa dos meus avós, há muitos anos. Éramos miúdos, acho que foi no ano em que os meus avós maternos comemoraram 50 anos de casamento. Foi uma animação.

3. O que é que costuma comer na noite de Consoada e qual o doce favorito?

Não sou nada fã do bacalhau cozido na noite de Natal. Fazemos sempre bacalhau, mas com natas ou à Gomes de Sá, ou outra coisa qualquer. Agora cozido, não! Sou perdida por Bolo Rei, assim em larga escala. É a única coisa que como sempre, todos os dias, várias vezes ao dia!!! Também adoro os mais tradicionais e conventuais, mas como este ano me tornei intolerante aos ovos só vou poder olhar. Lá terei de comer Bolo Rei, que chatice!!!

4. Quantos presentes costuma oferecer e quantos recebe? Pensa e compra com antecedência ou é tudo à última hora? Tenta oferecer sempre presentes personalizados?

Não sou nada certa nos presentes. Este ano ainda não comprei nem pensei em nada. Acho que há dois anos comprei coisas em setembro, imagina. Mas quero fugir das confusões. Vou fazer uma lista e aproveitar que tenho tempo à tarde e antes da hora de almoço e compro tudo de uma vez só. Gosto muito de pensar um presente para cada pessoa. Comprar em larga escala faz-nos iguais e as pessoas não são todas iguais. E tento dar sempre o meu toque.

5. Para quem é o presente de Natal mais difícil/especial de escolher?

Não sei… talvez para os meus pais. Tentamos sempre otimizar e oferecer coisas que façam falta, mas, às vezes… Não precisamos assim de nada em especial, e, nesses casos, é difícil.

6. Qual é o presente de Natal ideal para si?

Eu não sou nada esquisita com presentes e acho que nem nunca troquei nada que me tenham oferecido. Quem me conhece sabe bem o que oferecer. Eu gosto de coisas simbólicas, nada de extravagâncias. Gosto de livros, velas, cremes… Este ano, dava-me jeito receber um pack com 500 horas de tempo extra. Fica a dica!

7. Costuma fazer a árvore de Natal? Sozinha ou com ajuda?

Em minha casa sou só eu, por isso a árvore de Natal é um cone cheio de vitrilhos de várias cores: simples, rápido e limpo! Depois, tenho algumas figuras que vou colocando pela casa, faço um centro de mesa com as velas do advento e acendo uma cada semana, até ao Natal.

8. Quem é que se costuma vestir de Pai Natal? Até quando acreditou?

Normalmente é o meu primo. No ano passado foi o pai dele, o meu tio, porque ele estava a trabalhar e podia não chegar a tempo. Acreditei até aos oito anos, acho. Foi até à noite em que apanhei a minha mãe a por os presentes na chaminé. Os meus pais ainda tentaram mudar-me a ideia, mas não havia nada a fazer. Caiu um mito naquele instante!!!

9. Quando, onde com quem costuma passar o Natal?

O Natal é em família, na terra, enquanto não tiver a minha. Nos últimos anos tem sido em casa dos meus primos maternos, que têm filhotes pequeninos. Passo lá com os meus pais, os meus tios e os miúdos. Este ano vai ser mais triste. Vamos ter um lugar a menos na mesa. Perdemos o meu padrinho, em abril.

10. Qual a figura favorita do Presépio?

O Presépio está todo o ano na minha sala. O Menino Jesus é a minha figura preferida. Um menino frágil, que consegue concentrar a atenção do Mundo, motivar a partilha e distinguir o essencial do acessório. Só quem anda muito distraído pode pensar que o Natal é presentes. Natal é espírito e não oferta. É celebrar a vida, é união e gratidão.

Imagem

Entretanto, de Bruxelas…

… além do frio de bater dente, chegam fotografias de (poucos) cidadãos espanhóis que celebram os 39 anos da Constituição, referendada em 6 de Dezembro de 1978. As bandeiras das várias regiões confundem-se e ocupam o mesmo espaço, entre manifestantes. Espanha vive um impasse com a Catalunha a ir a votos no próximo dia 21 e com os principais rostos fora da região e do país e a fazer campanha, à distância.

Se esta campanha correr bem, Espanha consegue (mais) um assunto de análise. Estou ansiosa para ver!