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#2 Mudou muito a minha rua desde que a Covid-19 chegou…

… ainda se consegue ver a lua mas o trânsito quase que parou.

Hoje saí. Finalmente, 14 dias depois saí. Com cuidados, sem tocar em nada, quase com medo de respirar. As compras básicas, um percurso mais lento (apenas) para sentir o ar na cara, entre as janelas do carro.

Onde foi que me perdi?

Qual foi o momento em que deixei de desfrutar da simples corrente de ar do carro? Provavelmente, no primeiro dia em que tive aulas, formação ou eventos, depois do trabalho. Aquele dia em que comecei a correr, em que não podia perder a compostura da imagem, o preceito do penteado ou a maquilhagem imaculada.

A saída valeu anos. Percebi que em 14 dias eu própria tinha envelhecido alguns.

Ao passar, vejo a esperança. Numa janela, a cor fixou-me o olhar. Fui mais perto só para registar. Para guardar aquilo que na minha rua, como em tantas ruas, nos faz erguer e nos salva todos os dias: o amor.

Vai ficar tudo bem.

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Mudou muito a minha rua desde que a Covid-19 chegou…

… ainda se consegue ver a lua mas o trânsito quase que parou.

O silêncio é interrompido pela obras de um prédio que teima em querer nascer em tempos de cólera. A economia não pode parar. As janelas, em volta das minhas, antes fechadas, estão escancaradas. Todo o dia. Há barulho. Há pessoas. Há vida. Há roupa estendida que dança com o vento que nos vem lembrar que já é primavera.

Alguém fala, entre andares, no parapeito, que bateu à porta e ninguém atendeu.

– Dona Sara estive aí agora. Não abriu a porta porquê?

– Não ouvi, desculpe.

– Então abra lá que tenho aqui coisas para si e vou aí agora.

Em 6 anos que estou nesta casa e nunca tinha percebido que aquela senhora se chamava Sara e confesso que também nunca tinha visto ninguém a falar assim, à janela.

Do outro lado, um trabalhador acaba de pintar uma loja (ou que vai ser algo do género daqui a uns dias). Sozinho. De vez em quando olha em volta e os olhos dele encontram os meus, que estão na varanda de trás, a tratar de roupa. Não tem música, não canta; nisso, ganhei eu.

Duas pessoas retiram uma máquina de costura de uma das lojas, o trabalho em casa assim o obriga. É preciso deixar o óbvio e procurar o lógico.

Na minha rua há cães. Ou talvez haja donos que passeiam os cães mais que o habitual, para lá do aceitável.

Na minha rua há silêncio. Há ajuda. Há atenção. Há pessoas. Há amor. Há alegria. Há esperança. Há respeito. Há recato. Há uma vista fantástica. E estamos bem assim. Até ver (ainda) ninguém enlouqueceu.

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Si te gusta…

PSOE e Podemos perceberam, finalmente, que o cenário está a mudar e que o risco de ir para novas eleições é grande por que a gavalgada da direita é imensa. No próximo escrutínio arriscam ambos a perder (ainda mais) deputados e não há acordo que sirva. Mesmo assim, agora, precisam de mais suporte. Jogaram alto, não podem perder mais. O caso ‘Ciudadanos’ tem de servir de exemplo.

De qualquer forma… estou ansiosa para perceber o preço deste abraço.

 

 

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1 semana

O que se faz numa semana de infecção respiratória pós-férias? Despachamos dois livros, vemos muitas horas de Netflix (não percam a série sobre o Bill Gates- adoro mentes brilhantes, mesmo que não as entenda sempre), vamos a consultas, percebemos a dinâmica das nossas cordas vocais e calçamos as meias por que… caramba!!!!! Como mudou assim tanto?

Até amanhã, às 6h30.

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2 anos. E a contar.

Há dois anos nascia este espaço.

Há dois anos estava rodeada de tantas pessoas. De todas as pessoas. Hoje resolvi comemorar sozinha. Numa manhã de outono, com dois jornais, uma revista, na minha esplanada de eleição. Num dos lugares com mais paz. Ever.

O chá de menta arrefece rápido, o vento do outono não deixa grandes duvidas: está tudo a mudar. A onda que andamos todos a surfar é alta mas aproveitamos: o sol na cara, o riso dos miúdos que caem e levantam, caem e levantam… as conversas dos outros tão boas de se ouvir sobre o Halloween e o dia de Todos os Santos, sobre a falta de crença que nos assola, sobre uma casa nova, sobre as arrumações. Sim, está no sangue, sou jornalista.
Neste dia de comemoração e agradecimento, neste domingo de outono, saí de casa sem lavar o cabelo, com uma calças brancas todas rasgadas e, pior, todas sujas. O casaco que comprei algures por 5 € dá-me o aconchego de que preciso mesmo, hoje.  Devia ter a inscrição ‘Harvard’ em vez do real ‘badass girl’. Só para haver coerência. Quero lá saber… Nunca fiz uma compra tão boa.
Xiu!!! Não digam a ninguém.
Parabéns e obrigada pela companhia e partilha de todos os dias.

(Sim, sei que tenho estado mais ausente… em breve vão perceber porquê. Vai valer a pena!)

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Desporto para todos

Regressei das férias a todo o gás! No fim de semana partilho fotos mas hoje foi dia de desporto!

Mais uma Semana Europeia. Estamos juntos, de novo, para este programa tão nobre, tão importante, com tanto sentido. A manhã no Complexo Desportivo do Jamor já prometia mas foi tudo muito melhor. Houve dança, houve futebol com caras bem conhecidas, com ex-futebolistas, atletas olímpicos, pessoas da comunicação e da estrutura do Instituto Português do Desporto e Juventude.

São precisos 21 dias para criar um hábito e 90 para quebrar um padrão, um comportamento. Usem-nos para o bem, para o vosso bem! Desporto é saúde. Encontrem o vosso desporto, a escolha é vasta.

Não temos de ser todos atletas de alta competição, precisamos é de nos mexer, fazer alguma coisa, dar o exemplo. Eu tenho o exemplo do meu pai: sempre me lembro do futsal, das corridas mas, acima de tudo, da vontade de não estar parado. Ainda hoje corre, ainda hoje se mantém activo (também) por que é jovem mas é meu pai!

Tirem e guardem os melhores exemplos! Estamos juntos. #BEACTIVE

 

A Semana Euroepia do Desporto acontece entre 23 e 30 de Setembro e podem encontrar toda a programação aqui.

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“Vou casar!”

Eu vi o ‘estado civil’ alterado no Facebook para ‘noivo’ mas achei que era marketing- ele é tão bom nestas acções e análises que não dei muita validade. Só quando meteu conversa comigo, de manhã, percebi que a coisa era séria.

Ele: – Bom dia!!

Eu: Bom dia!! Noivo?!

Ele: Sim.

Eu: Hein?! A sério?!

Ele: Sim, a sério.

Eu: Vamos ter festa? Mesmo? Nem posso crer!

Ele: Vamos ter isso tudo.

Eu: Xinapa… não estava preparada para isto.

Ele: Mais logo já te ligo.

Eu: Só quero que estejas feliz.

Ele: Estou!

(Esta foi a conversa possível às 8h da manhã, num dos intervalos do programa. Mais tarde, falámos, finalmente.)

Ele: Então, não me estavas a ver a casar, não era?

Eu: Eh pah… confesso que não era bem o que te imaginava fazer. Não sei, acho que nunca pensei muito nisso… Se calhar é isso, nunca pensei muito no assunto.

(Lá conversámos as coisas todas que ficam entre nós, lamento, mas haverá sempre segredos. Até que… )

Ele: Pronto, decidimos e vamos mesmo fazer isto. Estamos muito felizes.

Eu: Estou muito feliz por vocês. Mesmo.

Ele: Obrigada, meu amor. E achamos que vais ser uma excelente madrinha de casamento.

(Eu gelei. Estava na cozinha a preparar chá e parou tudo naquele instante. Acho que levitei e voltei ao chão e as lágrimas começaram, instantaneamente, a cair.)

Eu: Estás a falar a sério?!

Ele: Claro que estou. Não faz qualquer outro sentido. Tu e o H., os meus padrinhos. Há ligações que não se separaram. Aceitas?

Eu: (Continuava a chorar) Claro que aceito. Fico muito feliz por vocês e ainda mais por te acompanhar desta forma.

Fizemos umas piadas e partilhámos votos e desligámos. Eu continuei a chorar, óbvimente, até por que a madrinha tem de ir treinando.  Ele que diz que eu sou muito suportável, que me trata por meu amor, que todos os anos me pergunta ‘quanto queres para vir trabalhar comigo?’, que já viajou comigo até ao Papa, que já me defendeu, que aceita conselhos meus, que partilha comigo a password da Netflix, que me confidencia negócios que ainda não aconteceram e que me inclui nos seus projectos, que me conta de reuniões ultra secretas, que já concorreu comigo a bolsas de investigação, a projectos de televisão, que já me enviou perguntas durante entrevistas, que descasca maçãs, que apanha tomate chérie e dá para eu provar no topo de uma ilha, que faz caminhadas e sobe ao farol, anda de barco e faz filmes de mim a morrer de enjoo… Sim, um dos meus melhores amigos vai casar. E não posso estar mais contente, mais emocionada, mais… tudo.

O amor é bom mas os amigos são a melhor coisa do mundo. Somos 3, nós 3. Todos diferentes mas formamos um casulo onde só entra quem nós queremos. O amor é para ser vivido. O nosso também. Só assim é que vale a pena.

Ainda não estou mim.