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#3 Mudou muito a minha rua quando a Covid-19 chegou

… ainda se consegue ver a lua mas o trânsito quase que parou.

Ali, naquele corrimão, vi dois homens à conversa. Um estava de máscara e luvas. Outro, sem qualquer cuidado, estava agarrado à estrutura. Eu estava na varanda e ouvi-os.

– Pois, isto agora é esta porcaria. Agora andamos todos assim.

– Tem de ser, é assim que precisamos de nos proteger!

– Proteger, proteger…. esta treta agora…!

– É por pensarem como tu que estamos como estamos. Olha, isso que estás a fazer (agarrar o corrimão sem luvas) é que vai espalhar o vírus. Muita gente pensa como tu e esse é que é o problema.

Pois é. Esse é que é o problema. Falta de cuidado, para consigo mas para com os outros. É tão difícil de perceber que está a resultar ficar em casa, evitar contacto social, distanciamento? Como diz uma prima com imensa graça, largueza. Muita largueza.

Não tenham medo, nós voltamos uns para os outros. Pode demorar mas voltamos. E quando voltarmos… vai parecer o primeiro dia do resto das nossas vidas.

 

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Mudou muito a minha rua desde que a Covid-19 chegou…

… ainda se consegue ver a lua mas o trânsito quase que parou.

O silêncio é interrompido pela obras de um prédio que teima em querer nascer em tempos de cólera. A economia não pode parar. As janelas, em volta das minhas, antes fechadas, estão escancaradas. Todo o dia. Há barulho. Há pessoas. Há vida. Há roupa estendida que dança com o vento que nos vem lembrar que já é primavera.

Alguém fala, entre andares, no parapeito, que bateu à porta e ninguém atendeu.

– Dona Sara estive aí agora. Não abriu a porta porquê?

– Não ouvi, desculpe.

– Então abra lá que tenho aqui coisas para si e vou aí agora.

Em 6 anos que estou nesta casa e nunca tinha percebido que aquela senhora se chamava Sara e confesso que também nunca tinha visto ninguém a falar assim, à janela.

Do outro lado, um trabalhador acaba de pintar uma loja (ou que vai ser algo do género daqui a uns dias). Sozinho. De vez em quando olha em volta e os olhos dele encontram os meus, que estão na varanda de trás, a tratar de roupa. Não tem música, não canta; nisso, ganhei eu.

Duas pessoas retiram uma máquina de costura de uma das lojas, o trabalho em casa assim o obriga. É preciso deixar o óbvio e procurar o lógico.

Na minha rua há cães. Ou talvez haja donos que passeiam os cães mais que o habitual, para lá do aceitável.

Na minha rua há silêncio. Há ajuda. Há atenção. Há pessoas. Há amor. Há alegria. Há esperança. Há respeito. Há recato. Há uma vista fantástica. E estamos bem assim. Até ver (ainda) ninguém enlouqueceu.

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1 semana

O que se faz numa semana de infecção respiratória pós-férias? Despachamos dois livros, vemos muitas horas de Netflix (não percam a série sobre o Bill Gates- adoro mentes brilhantes, mesmo que não as entenda sempre), vamos a consultas, percebemos a dinâmica das nossas cordas vocais e calçamos as meias por que… caramba!!!!! Como mudou assim tanto?

Até amanhã, às 6h30.

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As memórias

O 25 de Abril e o Pós-Abril devem ter sido dos tempos mais impressionantes da democracia portuguesa. Não tenho dúvidas que foram os mais apaixonantes, em termos políticos. Esta fotografia guarda os quatro destacados políticos desses tempos, os quatro que fizeram a diferença, cada um no seu partido, cada um com as suas convicções mas todos com sentido comum. Foram os melhores de todos, até hoje, não tenham dúvidas.  Trabalhei no funeral de um deles, prestei homenagem no de outro. De um, só ouvi histórias e com o último que nos deixou tive honra de me cruzar.

Hoje (só) temos a memória, e a memória vale muito.

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10 anos é muito tempo

10 anos é imenso tempo.

 


Lembro este dia como se fosse hoje. E os anteriores e os seguintes. Sem magoa, nem saudosismo. Nada disso. Eu era uma miúda, com 25 anos e três de televisão. Não  sabia nada disto. (Hoje ainda tenho tantas dúvidas…) Apenas recordo como recordo as vezes que ia com os meus pais a Constância e passávamos o Rio Tejo, de barco. A água fresca do Rio ainda me toca nas mãos. Daquele dia lembro a água e sei como me tocou. A única coisa que me faz pensar nisso é saber que quem me escolheu naquele 4 de setembro, continuaria a escolher-me, se fosse hoje. Isso dá muita paz, tranquilidade e significa muito. A confiança é a base das relações humanas. Quem trabalha em televisão conhece o desgaste que o meio provoca. A corrosão é mais rápida. A base é tudo.

10 anos depois (menos uns pozinhos), quis o destino Que estivesse ali, no mesmo lugar.
O que tenho a dizer? Gosto do destino. Acredito que está traçado. Se é para chegar, chegamos. Com gratidão e foco no futuro. O caminho é em frente.

Sobre os 10 anos… caramba. Tenho de aproveitar mais a vida. Isto passa realmente muito rápido.

Mais do que devia.

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OMG

Impensável.

Inacreditável.

Sufocante.

Negligente.

Esta fotografia foi tirada a 11 de Agosto e já revelava muitos focos de incêndio na Amazónia, o ‘pulmão do mundo’. Dois dias depois, o cenário era ainda mais assustador. As imagens são da Nasa.

A Amazónia está a arder há 20 dias. Até ao início desta semana foram registados mais de 74 mil focos de incêndio. Repito: 74 mil focos de incêndio.

O Presidente do Brasil não faz nada. Só deixa queimar. Há um novo responsável por tudo o que vamos sofrer em breve, em termos ambientais. O Mundo tornou-se um lugar muito estranho, liderado por pessoas perigosas. Mas… pode ser de mim.

Assustador.

Criminoso.

Complacente.

Indiferente.

Apático.

Frio.

Impossível.