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2017… Em fotos.

Começámos o ano a estrear casa nova, o novo estúdio da TVI. Foi em Fevereiro.

O ano em que ser feliz… Deixou de ser opcional e passou para o topo das prioridades. Ericeira, Março.

O lançamento do livro da minha querida amiga Margarida Vieitez. Março.

O ano dos 33… Inesquecível. Março.

O Diário da Manhã foi líder durante 4 meses. Obrigada! Abril.

A turma fabulosa de doutoramento. A tese pode não valer de nada porque eles valem tudo. Primeiro ano completo. Maio.

O meu trabalho faz-me voar. Porto Santo, Junho.

Paz. Férias, Agosto.

Embaixadora Semana Europeia do Desporto. Que orgulho!!! Setembro.

Renovar de alma. Barcelona, Outubro.

Sevilha, Outubro.

Este blog… Sem palavras. Outubro

O Centro Sagrada Família que conheci este ano. Novembro.

A equipa fabulosa que faz todos os dias o Diário da Manhã.

FELIZ 2017, sem dúvida que foi.

 

 

 

 

 

 

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Pausa. Ponderação. Silêncio.

Nativity scene Christmas star on blue sky and birth of Jesus, illustration.

Dizem com alguma frequência que não sei receber. Acho que têm razão.
Se também gosto de receber? Parece-me que toda a gente gosta de um miminho (em pequenino, sim) de vez em quando.
Mas as coisas da mão, aquelas que vamos comprar ali numa loja e que se encaixam nas personalidades de tantas pessoas diferentes… Essas, que até nos podem agradar e preencher uma vontade consumista, também são boas… Mas são só coisas. Objectos. Tem quase sempre um valor mais pratico do que afectivo. Servem, naquele instante, para completar um desejo, uma carência. Uma vontade.

Sinceramente… Acho que fui feita para dar. Destas coisas, também. Facilmente compro qualquer coisa para dar, para mim sou sempre muito hesitante.
Nos últimos 2 anos da minha vida aprendi a premiar-me por alguns feitos que consegui. Coisas que não precisam ser grandes aos olhos dos outros, apenas significativas e marcantes para mim. E faço adequar-se ao lógico. E aí… Não compro nada.

Ontem entrei num centro comercial para tratar de uma coisa que não tinha nada que ver com presentes de Natal e tive medo. Me-do de ser engolida pela multidão. Medo de ver levada na maré tipo festival de verão ou santos populares em que levantamos os pés e deixamo-nos ir… Sabem como é? Tantos encontrões, tanta gente cheia de sacos, perdida no tempo e com pressa… Só de sentir aquela energia má fiquei cansada. A juntar a isto um trânsito infernal, uma pressa desmedida, sempre um a tentar tirar o lugar ao carro do outro. Que caos. Não precisamos ter coisas ‘a montes’, não precisamos encher os nosso filhos de brinquedos que, passado um ano, ainda estão dentro da caixa, não precisamos ensina-nos a pedir muuuuuitos presentes porque só brincam com um de cada vez, não precisamos ensinar a gostar só de coisas boas, porque essas eles nem conhecem.

Natal não é isto, amigos. Natal é tempo, é empenho, é reciprocidade na atenção, é telemóveis desligados, é família à volta da mesa, é brincar com os miúdos, ouvir músicas inspiradoras. Eu sou daquelas pessoas que gosta das argolas de guardanapo personalizadas pela minha afilhada, na mesa de Natal, que se senta para a ouvir tocar guitarra e mostrar o que aprendeu durante o ano, que corre as casas das amigas com a mãe, na véspera de natal a dar beijinhos e a comer chá e bolachas (este ano não vai dar para as bolachas, queridas… Sorry), que reencontra pessoas que não vê há tanto tempo, lá na terra.
Garanto que entrar no espírito desta quadra não é substituir a comida tradicional por vegan, ser light e evitar os doces ou reciclar embrulhos usando o papel de jornal…
Natal é acima de tudo a certeza que o melhor presente não vem embrulhado- a presença e o amor verdadeiro. É saber que um abraço, um ‘gosto de ti’, um gesto de carinho valem muito mais do que 20metros de papel amassado no chão da sala, que serviu para envolver coisas materiais.

E isso… Sim… Eu sei que sei receber.

 

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Lights out!

Não deixo de me fascinar com as imagens da NASA… Esta foi registada pelo astronauta Mark Vande Hei, a 250 milhas do planeta terra, a distância a que está na Estação Espacial Internacional.  Confesso que é também das coisas que mais me fascina quando viajo de noite: perceber a organização das cidades, a distância que há entre elas e a energia empenhada nestas regiões, através das luzes, do brilho. Volto a ser criança, colada à janela do avião.

A fotografia mostra a zona de Memphis, New Orleans, Miami, numa perspectiva brutalmente maior. Na Estação Espacial Internacional vivem e trabalham 6 pessoas. Além das tarefas de investigação e laboratório, também registam imagens do planeta e, em alguns casos (muitos, diria eu), acontece esta beleza!

Como sempre… tudo em www.nasa.gov

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O casaquinho

Comecemos pelo início.

Conheci o Centro Sagrada Família (CSF) há umas semanas quando a tia Suzete me desafiou a visitá-lo. A tia Suzete é uma senhora maravilhosa, de 73 anos, mais activa do que eu e que faz mesmo a diferença na vida das pessoas (na minha também): é voluntária. Há uns tempo desafiou-me para conhecer um espaço que eu não sabia que existia, fica entre os prédios mais altos de uma avenida de Algés e a CRIL. O CSF é uma IPSS que pertence à Fundação Obra Social das Religiosas Dominicanas Irlandesas, que também desenvolve actividades no Colégio do Bom Sucesso e na Casinha de Nossa Senhora.

O Centro apoia quase 90 famílias, cerca de 300 pessoas e destas, metade é crianças. Na hora em que eu conheci o espaço e o trabalho desenvolvido e a Dra. Amélia percebi que podia ser útil. Fiz uma recolha de roupas lá em casa e pedi a algumas pessoas brinquedos para oferecer às crianças este Natal- elas não precisam de muito, só querem uma coisa nova, embrulhada, para ser só sua. Custa muito pouco fazer uma criança feliz… mas além das crianças era preciso ajudar as famílias. A tia Suzete conseguiu roupa nova para quase todas, através de uma empresa que se dispôs a ajudar, de imediato. A entrega foi ontem e estes são os cabazes preparados para cada uma das pessoas e os presentes para os seus filhos.

Mas antes desta entrega estive com amigas do Centro de Psicologia de Almada que também fazem recolha de roupa para ajudar pessoas carenciadas. Já me tinham dito para levar roupas mas ontem é que foi! Várias caixas e sacos com coisas que vão, seguramente, tornar o Natal destas pessoas mais quentinho.

Mas, no meio de todas as dádivas, fizeram questão que trouxesse uma. Um casaquinho de lã, feito à mão, de cor verde.

Diziam-me que era especial, depois percebi porquê. Este casaco de lã verde, foi feito por uma senhora que sofre de Parkinson. Mas a vontade de ajudar era tanta que, mesmo com todas as óbvias limitações, esta senhora tricotou o casaquinho. Queria muito ajudar e só isso a fez resistir… um ano. Um ano foi o tempo que demorou a terminá-lo e entregá-lo para que pudesse aconchegar uma criança de meses. Na altura que o entreguei no CSF chorámos todos, cada um à sua maneira.

Está cumprido. Demorou mas quando a vontade de ajudar é genuína, tudo se alinha e o propósito é atingido. É uma lição grande de força de vontade e resiliência.

Como imaginam, há muitas pessoas a precisar de ajuda. Dou-vos o exemplo da D. Fernanda que conseguiu uma casa num prédio social e está tão feliz porque também vai ter um quadrado de terra para uma horta. Do José, outrora sem abrigo, hoje numa habituação social também mas ainda a compor o seu espaço. E que agradece profundamente a ajuda que lhe dão mas também tem a plena consciência que tem um papel activo (e tão fundamental) na reconstrução da sua vida.

São só dois exemplos de pessoas que não desistem e todos os dias seguem em frente e tentam mais um bocadinho. Há quase 90 famílias. Este post não é para dizer o que fiz. É para vos alertar que falta muito mais: o José precisa de um fogão, frigorifico, micro-ondas. A Dona Fernanda, das coisas de todos os dias.

Se puderem ajudar, não hesitem. Tenho a certeza que o vosso Natal vai correr muito melhor.

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Uma C.A.S.A. chamada rua

A ajuda a pessoas sem abrigo, sem Lisboa, esteve marcada por 2 ou 3 vezes  mas só aconteceu agora. Há muito que queria fazê-lo, não por caridade ou caridadezinha (são coisas BEM diferentes) mas porque queria ajudar, temos todos essa capacidade. Ajudar não apenas dar dinheiro, dar tempo, estar com as pessoas, ouvi-las, perceber de que são feitas… isso, às vezes, tantas vezes… é a melhor ajuda que se pode dar a alguém.

Associei-me à associação All Humans, que recolhe bens bens de higiene, que fazem tanta falta e que as pessoas que vivem na rua tanto necessitam. Às vezes nem pensamos nisto, a alimentação é, inevitavelmente, a primeira lembrança que temos mas, acreditem, é mesmo muito importante: uma escova ou pasta de dentes, uma lâmina para desfazer a barba, um desodorizante, um sabonete… a história que mais me tocou tem que ver com a distribuição destes bens.

 

A All Humans associou-se ao C.A.S.A., Centro de Apoio aos Sem Abrigo, que já distribui refeições. No fundo, é aproveitar este conhecimento das pessoas que mais precisam de ajuda e dos locais onde estão. O ponto de encontro foi às 19h30, estava um calor infernal de agosto em outubro, e começámos a carregar os carros. Como podem ver, não é preciso muita gente para ajudar, é preciso é gente! As rondas da All Humans estão distribuídas por zonas- Oriente, Saldanha, Cais do Sodré e Santa Apolónia, onde fui. Quem precisa está à espera de quem vai ajudar mas há sempre alguma dúvida se aqueles dois carros que chegam querem mesmo ajudar ou não… é legítimo, claro que é. Uma das senhoras que conheci lembrou que alguém pegou fogo ao sítio onde dormiam. Pura maldade.

 

Debaixo do viaduto distribuímos muitas coisas mas acabamos por ir mais à frente, a pé. Algumas pessoas faziam o jantar numas brasas ateadas perto de uma parede e tentavam esquecer que vivem numa carrinha há cerca de 1 mês.

“Ah, mas eu vou sair daqui que já estou a trabalhar. Só preciso de arranjar um quartinho”, disse um desses homens. Eram 4 homens e uma mulher.

Lisboa é uma cidade de contrastes, como o da fotografia… A Lisboa dos turistas e dos grandes eventos não pode chegar os olhos a quem ‘mora’ ali ao lado.

Fizemos mais uma paragem e depois chegamos frente à estação. O primeiro carro a ser procurado é sempre o da comida mas depois de perceberem o que estávamos a distribuir, chegaram-se a nós. Distribuímos quase tudo: o que sobrou de comida deitaram fora mas os bens de higiene ficam guardados.

Uma senhora, muito velhinha, muito pequenina insistiu muito para lhe dar um sabonete. Não havia sabonetes soltos e não podíamos abrir sacos já compostos, os bens tinham de chegar para todos. A senhora insistiu muito e acabou por ir embora… quando ela se afastou e eu uma das coordenadoras olhamo-nos e percebemos: estavamos no fim da noite e íam sobrar coisas. Abri um saco e corri atrás da senhora. Ela segurou o sabonete como se fosse feito de ouro, pegou-me nas mãos e agradeceu muito e depois disse-me: ‘Dê-me um beijinho. Eu sou assim e sou velhinha mas não tenho nenhuma doença. Deus a ajude muito’…

Quase que fiz directa naquela noite mas depois disto o meu sono passou a ser uma coisa absolutamente relativa.

A All Humans precisa de ajuda, naturalmente. Os bens distribuídos são recolhidos em empresas ou resultam de donativos de pessoas. Se não sabem o que fazer este Natal (mais que não seja isso…) ajudem estas pessoas!

Passem aqui:  www.facebook.com/associacaoallhumans/

(Comprometi-me, obviamente a tirar fotografias que apenas identificassem os sítios e nunca as pessoas. Todos têm direito à privacidade e, além do mais, eu estava ali para ajudar, tinha coisas para fazer. As fotografias são, por isso, poucas e dissimuladas. E é assim que tem de ser.)