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7 Maravilhas

Quando sabemos o que somos, de onde vimos, onde pertencemos não há grandes dúvidas sobre as opções que tomamos. Foi isso que me levou a aceitar este convite da Câmara Municipal de Constância para ser madrinha do concelho nas edição das 7 Maravilhas à Mesa.

Aprendi a nadar nas piscinas do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, nadei nas águas geladas do Zêzere, atravessei o Tejo de barco inúmeras vezes, esfolei os joelhos na Quinta do Lombão, cresci a comer peixe do rio e a broa de milho que a minha avó Esperança comprava ao Sr. Henrique, o padeiro que passa todos os dias.

Hoje já não há broa. A avó Esperança já não olha por cima dos óculos, o meu pai já não pesca no rio mas eu volto sempre aqui. Por que a essência não se perdeu. Nunca se perde. E porque as pessoas contam sempre mais. Triste de quem ainda não percebeu isto.

Em Alijó (viagem grande) a mesa de Constância não passou à final. Valeu a pena participar. Também não há muitas fotografias, ficou tudo reservado na memória que os programas em directo não são amigos dos telemóveis.

Obrigada a todos! Ao Presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira, meu amigo há quase 30 anos, ao grupo que nos acompanhou e à produção da RTP.

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A fome e a fartura

Às vezes é mesmo assim… E Constância está habituada a ver de tudo. Quando há uns tempos visitei a vila havia fome (ou sede) de água, o Tejo ía tão vazio que metia dó, a situação era mesmo complicada. Mas a verdade é que desde miúda me habituei a ver a vila inundada no inverno. Eu e todas as pessoas, penso, e por isso foi tão difícil lidar com a seca.

Quando passei, nestes últimos dias, o nível das águas já estava mais baixo e o parque de estacionamento operacional mas a rotina é sempre a mesma: retirar as coisas das casas e estabelecimentos comerciais mais próximos do rio e depois… esperar: esperar que suba e esperar que desça, sem fazer grande estrago.

Todos os anos havia a expectativa de até onde chegaria, agora, o caudal? Na Praça do Pelourinho há marcas das piores cheias de sempre, nos anos 70. Ainda hoje fico impressionada e a pensar ‘como foi possível?’ mas foi.

Agora está mais baixo, mesmo a tempo para as Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira dos pescadores que faziam vida no Tejo, e que acontece sempre no fim de semana da Páscoa. Começam hoje, portanto. 

Ali em baixo encontram-se Tejo e Zêzere, num cenário quase idílico. Vivi neste concelho até aos 12 anos e não me esqueço nunca onde pertenço. Sou uma sortuda.

(Por ali também passou Camões mas isso fica para a próxima.)